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Sobre os últimos dias (ou meses)

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Olá a todos. Em primeiro lugar, muito obrigada por todas as pessoas que leram meu último post. Eu não esperava tantas leituras, em especial porque faz menos de duas semanas desde que escrevi. Isso é um choque. Mas não sei se perceberam: eu não disse nada sobre como a recuperação está em relação à comida. Então, gostaria de escrever sobre isso agora. Algum tempo atrás, eu comecei a perder peso mais uma vez. Comecei a cair daquele ponto e, agora, não estou bem. Apesar de ter tentado, não sei qual foi o gatilho. Minha equipe está preocupada. Isso causou muitas sessões de terapia difíceis e minha nutricionista tentou jeitos diferentes de me ajudar, mas nada parece funcionar. Não estou feliz com isso. No último dia no hospital, prometi à psicóloga que tudo ficaria bem. Disse que funcionaria. Minha nutricionista preparou um plano de refeição detalhado e disse ao meu pai que eles deveriam ficar responsáveis por preparar minha comida e ter certeza de que eu comi. Mas as co...

Lições que aprendi em 2017

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Então, hoje foi meu último dia no hospital este ano. Eu quase não dormi ontem à noite porque estava tão ansiosa. Não queria dizer tchau. No ano passado, também foi difícil, mas por outra razão. Eu sabia que não estava pronta para ficar sozinha. Sabia que ainda estava instável, impulsiva demais. Sabia que algo daria errado (e deu). Este ano, é um sentimento completamente diferente: eu não queria dizer tchau porque vou sentir falta da equipe. Aquele lugar se tornou minha segunda casa. Minha equipe se tornou minha amiga. Só nos vemos uma vez por semana, nos falamos uma vez por semana, mas sei que pensam em mim nos outros dias, e eu penso nelas todos os dias, colecionando momentos e sentimentos que eu quero contar a elas. Mais importante, eu valorizo minha honestidade para com elas. Sou aberta. Eu não minto. Acredito em sua boa vontade, confio totalmente nelas. Isso me deixa extremamente vulnerável, e vulnerabilidade é difícil para mim. (Pronta para ir ao hospital e o presen...

Internação psiquiátrica e as consequências

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Recentemente, como você deve ter notado, mencionei muitos pensamentos suicidas recorrentes, que evoluíram para ideação suicida. Primeiro, meus remédios foram tirados de mim, mas como não pareceu suficiente para me impedir de tentar encontrar formas de me matar, no dia 11, psicóloga e psiquiatra concordaram que a melhor solução seria me internar. Assim, no dia 12, fomos ao Hospital Psiquiátrico de Jurujuba, onde minha tia trabalha, mas fomos informados de que deveríamos voltar para Itaboraí e tentar no Hospital Municipal Desembargador Leal Júnior. Após uma consulta com um clínico geral, uma enfermeira e uma psicóloga, foi determinado que eu seria internada no mesmo dia. Minha internação durou seis dias e, apesar de ter voltado para casa no dia 18 e tentado, mais de uma vez, escrever sobre a experiência e explicar minha ausência, simplesmente não consegui. Eu tive uma sessão de terapia e vi minha  psiquiatra duas vezes desde que recebi alta, mas não foi suficiente para me ...

Quando é "aceitável" desenvolver um transtorno alimentar?

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Algum tempo atrás, alguém me disse "Mas por que você tem anorexia? Nunca foi gorda, não precisa disso". A mesma pessoa, tempos depois, quando mencionei um conhecido mútuo que desenvolveu bulimia nervosa, disse: "Ele era gordo, tinha uma predisposição a isso, eu acho". Obviamente, ambas as situações nunca saíram de minha mente, porque estou escrevendo sobre isso meses depois. Mas a pergunta que quero fazer é: quando é aceitável desenvolver um transtorno alimentar?   É o que estou pensando. A resposta é: nunca, mas sempre. Nunca porque nossa sociedade é tendenciosa. Se você é gordo, a sociedade diz que é aceitável fazer absolutamente tudo que puder perder peso. As dietas loucas e longas estadias na academia, apesar da exaustão física e mental, são incentivadas como "estilos de vida". Sacrifícios feitos para manter o peso menor são vistos como força de vontade, disciplina, dedicação, saúde e felicidade. Se você foi gordo em algum ponto de sua vid...

A diferença entre fazer dietas e a anorexia

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Esta postagem me foi requisitada há meses via Twitter, mas eu nunca tive a energia para fazê-la. Esta é uma questão muito delicada e polêmica, e também muito confusa para a maioria das pessoas, então eu não queria escrever algo de forma desleixada. Em primeiro lugar, você deve ter notado, através de minhas postagens antigas, que eu não acredito que haja uma "forma saudável de fazer dietas". Para mim, as dietas, neste sentido da palavra, são sempre perigosas e nunca saudáveis. Isso é porque, em geral, dieta significa comer menos do que o seu corpo precisa e se privar de alimentos que lhe dão prazer. Assim, vejo dietas como inerentemente perigosas, tanto para o corpo quanto para a mente, e eu sei que cada vez mais nutricionistas estão chegando a um ponto de concordar com isso (como a Nathália Petry e a Andreia Meireles ). Fazer dieta por um período de tempo e perder peso não significa que vá se manter tal peso, porque as dietas não são sustentáveis. Como já me...

Como é viver com anorexia nervosa?

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Ontem eu tentei dar uma resposta curta a esta pergunta. No entanto, como você sabe, respostas curtas quase nunca me satisfazem. Preciso de mais, e meu cérebro não pode parar de pensar em muitas outras palavras que eu poderia ter dito, então decidi escrever esta postagem. Esta é uma visão pessoal da vida com a doença. Lendo meus velhos diários e pensando em como a recuperação é difícil e complexa, percebi que a anorexia é uma vida de medo. Não é medo de ganhar peso ou gordura. É um medo de existir, um medo de viver plenamente, medo de "ocupar espaço", medo de ser um incômodo, medo de ser visto. Você está constantemente se preocupando por não ser bom o suficiente para ter um lugar, merecer um lugar, para merecer sentimentos, para merecer qualquer coisa. Não é sempre sobre "Eu não quero ser gordo". Na verdade, para a maioria das pessoas que eu vi, é mais frequentemente sobre "Eu não quero ser visto", sobre "Quero encolher e desaparecer". Sim...

Pensamentos suicidas, consultas e mudanças

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Esta é uma atualização geral, como eu sei que tenho agido estranho recentemente e as coisas ficaram fora de controle. Apenas alguns posts atrás, eu disse que a anorexia não era mais o maior problema na minha vida, e eu realmente me sentia assim, mas as coisas durante a recuperação acontecem tão depressa. A anorexia não é a questão principal agora, mas ainda está aqui, ainda grita, e ainda afeta como eu sou e lido com as coisas. Hoje, fui ao hospital, como em todas as terças-feiras, mas o dia foi mais ocupado do que o habitual. Eu vi minha terapeuta duas vezes, a psiquiatra, a endocrinologista e também a minha agora ex-nutricionista. Ela está deixando o trabalho e hoje foi uma despedida, mas espero vê-la novamente um dia. Ela é realmente um dos meus seres humanos favoritos e tem uma maneira tão doce de me confortar. Vou sentir falta dela, mas vou continuar acompanhando o trabalho pela página  dela. Como ela disse, a vantagem é que agora podemos ser amigas, em vez d...